Pesquisadores estão usando óculos de realidade virtual (VR) para muito mais do que jogos digitais. Estudos recentes indicam que a tecnologia pode ser uma aliada na detecção precoce da doença de Alzheimer, oferecendo avaliações comportamentais e cognitivas com potencial para identificar os primeiros sinais antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos.
Durante a conferência anual da Cognitive Neuroscience Society, em Boston, neurocientistas apresentaram resultados que relacionam ambientes de virtuais com a presença de biomarcadores associados ao Alzheimer no cérebro. Os testes exploram a memória espacial e a capacidade de navegação dos participantes.
Em um dos estudos, conduzido pela Universidade de Stanford, adultos jovens, idosos e pacientes com comprometimento cognitivo leve foram convidados a lembrar a localização de objetos em uma sala de estar virtual.
Segundo a neurocientista Tammy Tran, houve queda significativa na precisão da memória entre os grupos, especialmente nos participantes com comprometimento leve. A equipe também coletou biomarcadores como pTau217 e Aβ42/Aβ40 para relacionar os resultados à presença de proteínas ligadas ao Alzheimer.
A conclusão do teste foi que o desempenho nas tarefas de VR apresentou forte correlação com a carga dessas proteínas no cérebro.
“Descobrimos uma diminuição na memória de localização de objetos entre adultos jovens e mais velhos, mesmo antes de qualquer comprometimento clínico evidente”
- Tammy Tran.
Outro projeto, liderado pelo engenheiro Manu Madhav, da Universidade da Colúmbia Britânica, mostrou diferenças entre adultos mais jovens e mais velhos ao navegar por corredores virtuais com pontos de referência ocultos.
A pesquisa, ainda em fase inicial, prepara o terreno para testes com pacientes com Alzheimer precoce.
“Descobrimos que adultos saudáveis, mais jovens e mais velhos, diferem em suas habilidades de navegação, preparando o cenário para nosso recrutamento de participantes com Alzheimer precoce, programado para começar este ano.”
- Manu Madhav.
A expectativa dos pesquisadores é realizar mais testes incluindo diferentes níveis de complexidade da doença para diferenciar o diagnóstico para participantes jovens e mais velhos.
Com a queda nos custos de equipamentos e o avanço da tecnologia, a expectativa é que a realidade virtual se torne uma ferramenta acessível para mais centros de pesquisa. Além do diagnóstico precoce, os especialistas veem potencial no uso da realidade virtual para investigar outros tipos de distúrbios cognitivos.
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Com informações de News Medical e Digital Trends.
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