A Intel e a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) estão em negociações para formar uma joint venture destinada a operar as fábricas de chips da Intel nos Estados Unidos. De acordo com informações divulgadas pelo The Information, a TSMC deterá uma participação de 20% na nova entidade, enquanto a Intel e outros investidores americanos manterão os 80% restantes.
Essa iniciativa surge em meio a esforços do governo dos EUA para revitalizar a indústria doméstica de semicondutores. A administração Trump tem pressionado ambas as empresas a colaborarem, visando fortalecer a produção nacional de chips avançados e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Desafios do mercado
A Intel enfrenta desafios significativos no mercado de semicondutores. Em 2024, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 18,8 bilhões, o primeiro desde 1986. Além disso, a companhia tem perdido participação de mercado para concorrentes como a TSMC, que lidera na produção de chips de 5 e 3 nanômetros.
Por outro lado, a TSMC anunciou recentemente um investimento de US$ 100 bilhões para construir cinco novas fábricas de chips nos EUA, demonstrando seu compromisso com a expansão da produção em solo americano. Esse movimento é visto como uma resposta às demandas do governo dos EUA para aumentar a produção doméstica de semicondutores.

No entanto, a potencial parceria levanta preocupações. Especialistas alertam que a TSMC poderia perder sua posição exclusiva na produção de chips avançados ao compartilhar tecnologias com a Intel. Além disso, há temores de que a colaboração possa resultar em demissões em massa nos EUA, uma vez que a Intel teria que substituir equipamentos e possivelmente dispensar engenheiros.
A complexidade técnica também é um desafio. As duas empresas utilizam processos de fabricação distintos, o que tornaria a integração operacional uma tarefa árdua e cara. A compatibilização de equipamentos e processos pode exigir investimentos significativos e tempo considerável para implementação.
Embora a parceria possa oferecer uma oportunidade para a Intel recuperar sua competitividade e para a TSMC expandir sua presença nos EUA, os desafios técnicos, financeiros e estratégicos são preocupantes. As negociações continuam, e o mercado observa atentamente os desdobramentos dessa possível aliança que pode redefinir o cenário da indústria de semicondutores.
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