A Humane anunciou que venderá parte de seus negócios para a HP por US$ 116 milhões (cerca de R$ 659 milhões) e descontinuará o AI Pin definitivamente, conforme divulgou a startup na última terça-feira (18).
A notícia chega menos de um ano após o lançamento desastroso do AI Pin, que reduziu consideravelmente a avaliação da empresa. Em maio de 2024, logo após o lançamento do wearable, a Humane buscava ser vendida por até US$ 1 bilhão.
Os AI Pins já adquiridos irão funcionar normalmente até as 15h do dia 28 de fevereiro, quando os dispositivos “não se conectarão mais aos servidores da Humane”, anunciou a empresa em documento de suporte. Com isso, não será possível realizar chamadas, enviar mensagens ou realizar consultas com o dispositivo. Ou seja, o AI Pin ficará completamente inutilizável.
Aos clientes que compraram o AI Pin nos últimos 90 dias, a Humane está oferecendo o reembolso pelo produto, diz o FAQ da empresa.
A Humane recomenda que os usuários transfiram suas fotos e dados do AI Pin para outros dispositivos antes de 28 de fevereiro.
De acordo com a Bloomberg, a equipe da Humane, composta por engenheiros, gerentes de produtos e até mesmo os fundadores da startup, Imran Chaudhri e Bethany Bongiorno, formará uma nova divisão da HP para “ajudar a integrar a inteligência artificial aos computadores pessoais, impressoras e salas de conferência conectadas da empresa”, disse um executivo da HP.
A promessa era libertar do vício nos celulares, mas o AI Pin passou longe disso
Revelado pela primeira vez em abril de 2023, o AI Pin, um wearable (dispositivo vestível) desenvolvido pela startup Humane, prometia libertar o mundo do vício em smartphones. No entanto, o gadget não caiu no gosto dos reviewers de tecnologia e vendeu apenas 10 mil unidades, 10% da expectativa da empresa em vender 100 mil AI Pins.
Desenvolvido durante cinco anos, o AI Pin recebeu US$ 240 milhões em investimentos de grandes executivos do Vale do Silício, como Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, e Marc Benioff, presidente-executivo da Salesforce.
Como já mencionado, a promessa do wearable era ser a evolução dos smartphones. Para isso, o dispositivo conta com inteligência artificial (IA) e não necessita de conexão com um celular. Para exibir informações aos usuários, o AI Pin é equipado com um projetor que apresenta uma interface diretamente nas mãos do usuário. Além disso, conta com câmera, microfone e saída de áudio.
Entre as funcionalidades do dispositivo, a Humane prometia que o aparelho poderia usar a IA para realizar consultas, traduzir conversas em tempo real, identificar objetos, enviar mensagens, fazer ligações e mais.
Após anos de desenvolvimento, o AI Pin foi lançado em abril de 2024 pelo preço de US$ 700 (cerca de R$ 5.684 na cotação atual do dólar), muito próximo do valor de um smartphone topo de linha. Além disso, para ter acesso ao processamento em nuvem e à conectividade com operadora móvel, o wearable também exigia uma assinatura mensal de US$ 24 (R$ 136). Mas, em outubro, o preço do AI Pin foi reduzido consideravelmente para US$ 200 (R$ 1.136).
Nos testes de reviewers de tecnologia, o aparelho teve péssimas avaliações, sendo acusado de não entregar as funcionalidades e a usabilidade prometidas. As críticas ao produto incluem falhas de conectividade, lentidão, dificuldades na execução de tarefas, superaquecimento e ausência de conexão com aplicativos frequentemente utilizados em smartphones.
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